Reflexões sobre grupo de gestantes
Como a
gestação é um período que envolve grandes mudanças bio-psico-sociais,
gestantes e companheiros necessitam compartilhar com seus pares reflexões sobre as mudanças que atravessam, trocar informações objetivas, bem como se preparar do ponto de vista corporal e emocional para as experiências que viverão. Num grupo de
gestantes são objeto de debate situações da vida atual, o
parto, o
pós-parto, os cuidados com o
bebê, a
amamentação e outros temas importantes que o grupo desejar abordar.
Gestantes e companheiros participam de uma dinâmica de grupo semanal, enquanto as futuras
mães praticam
Yoga duas vezes por semana. Focalizaremos aqui alguns temas presentes nos
Grupos de Gestantes.
Todo indivíduo sente necessidade de pertencer a algum
grupo humano que seja para ele uma referência, especialmente numa sociedade de massa que o despersonaliza, gerando sentimentos de isolamento e solidão. Um casal
grávido pode ser oriundo de um círculo familiar e social restrito, em que foram mínimas as oportunidades de aprendizagem relacionadas a por exemplo o
nascimento de um
bebê. Já outro casal pode vir de uma família numerosa, ter acompanhado outras
gestações e ter alguma experiência com
bebês, mas sabe que sua experiência de vida é única. É única a história com sua família de origem, a história do relacionamento do casal, como serão únicas a experiência de
parto e
pós-parto. E é desse ponto de vista que cada um deseja ser ouvido e ter sua experência pessoal compartilhada. Ou sua falta de experiência ... Suas dúvidas, conflitos e ansiedades, que ocorrerão em algum grau, mesmo em
gestações desejadas e programadas.
Se por um lado a abordagem dos temas que vão surgindo num
Grupo de Gestantes é particularizada, por outro lado o coordenador de um grupo dessa natureza deve atender àquelas questões que surgem com frequência por parte da maioria dos componentes do
grupo.
Um exemplo ilustrativo são as preocupações com a vinda de um bebê perfeito. Esse é um típico tema em que a abordagem é necessariamente múltipla. Pode-se entrar primeiramente com aspectos gerais: o casal cuida de sua saúde? A
gestante freqüenta regularmente as consultas pré-natais? Só ingere medicamentos prescritos pelo obstetra? Cuida de sua alimentação? De suas horas de sono? O diálogo no grupo vai se entremeando com informações necessárias e tranquilizadoras.
A
gestação não é uma condição patológica mas certamente uma situação especial. Por mais saudável que transcorra sua
gestação é vital uma mudança em seu ritmo de vida. A
gestante costuma dar uma paradinha em suas atividades durante o dia? Aqui uma abordagem de teor mais psicológico pode se fazer necessária. Há que se observar se há no
grupo aquelas
gestantes que, devido a certas características de personalidade, acreditam que podem levar a vida nos mesmos moldes de antes da
gestação. Sem se darem conta de que é um direito seu, absoluto, o de se poupar, não atendendo a todas as solicitações no trabalho ou meio familiar, como antes. E que é igualmente legítima a decisão de não abrir mão de seus direitos como cidadãs, em seu meio social. No quotidiano fazem valer princípios básicos como a garantia de emprego, seu lugar em filas de banco, condução, e mais do que isso, percebem-se com direito a uma natural solidariedade dentre os que as cercam? Certas dinâmicas de grupo podem oferecer-lhes um verdadeira oportunidade de conscientização e transformação desses aspectos.
Todos estes temas se interrelacionam e participam da idéia de um
bebê “perfeito”. Mas atenção para que a palavra perfeito não seja levada ao pé da letra, produzindo nos pais uma expectativa idealizada a respeito da criança. Uma criança quase sobre-humana, aquela que no fundo, inconscientemente será encarregada, de suprir várias das impossiibilidades e imperfeições de seus próprios pais. Nem um
bebê perfeito nem pais perfeitos. O que uma criança precisa não é de
mãe e pai perfeitos, que aliás não existem mesmo, mas de pais que apesar de falharem aqui e ali em suas atitudes, agem com honestidade, franqueza, transmitindo ao filho a idéia de que tentam verdadeiramente “acertar”. Se é isso o que predomina, isso é registrado pela criança como amor.
Claudia Mariante

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